A última vez que passei por aqui foi em outubro de 2017. E desde lá aconteceram tantas coisas.
Ensaiei tantas vezes para me colocar diante do computador e pôr para fora um pouco dos meus sentimentos estranhos para fora, e quantas vezes eu calei aquela voz dentro de mim que queria simplesmente falar algumas verdades próprias? E quantas vezes eu chorei por dentro somente pelo fato de não me sentir a vontade para dizer a mim mesmo que as coisas estavam acontecendo de tal maneira? Mas uma vez mais eu me calei, deixei de lado a minha voz interior que dizia para aliviar este turbilhão de sentimentos, apenas pelo medo de não ter forças para aguentar mais, de não ter força de "remoer" meus sentimentos, de não ter mais um "e" nem "porque" para aliviar a dor, pois se de imaginar que sim iria deixar vazar um pouco do que sinto, eu já entrava em desespero, pois existia a grande possibilidade de não conseguir parar e entrar em uma daquelas crises nervosas, ou crises de choro. É triste quando o ser humano precisa ser forte, ou ao menos aquilo que o mundo cobra de ser forte. Chorar é sinônimo de fraqueza, estar na minha é sinônimo de coisas ruins. Me pego me questionando inúmeras vezes sobre isso, por que tenho que ser tão forte e cada vez mais reprimir os meus sentimentos? Por que para eu ser forte preciso suprir as expectativas de todo mundo e ficar sorrindo 24/7 - 7/1 - 30/1 - 12/1?
Hoje eu preciso colocar um pouco do que sinto para fora, um pouco desta angustia que me faz cada vez me questionar o que é certa, o que é errado e até onde o ser humano pode ser mesquinho, egoísta, até onde podemos acreditar no sentimento do outro, e até onde eu preciso ser uma pessoa agradável e suscetível as vontades alheias?
A minha verdade hoje é que eu não ligo nem um pingo para nada e para ninguém neste exato momento. Queria simplesmente poder de verdade ficar no meu cantinho quietinho, dentro de uma piscina, uma banheira ou qualquer coisa do tipo (Sim, agua me relaxa quase que instantaneamente) com uma temperatura agradável e ficar ali, encolhido e parado e no meu canto, como não faço a muito, muito tempo. Colocar minha cabeça no modo off e divagar por aquilo que surgir na minha cabeça espontaneamente, deixar a minha cabeça me levar por si só. Me sinto esgotado, minha cabeça está pesada e minha alma pede sossego.
Meu estomago dói, e eu estou procurando algum sentido nestes sentimentos egoístas que só querem me prender a meu mundinho particular de desventuras intimas, de amarguras e frustrações particularmente doloridas, que me consomem a cada minuto que eu tento ficar tranquilo no meu cantinho sem o mínimo interesse de uma palavra sequer.
Hoje eu só quero o acalento do meu quarto que ficava para fora da casa, que eu me escondia do mundo e me fortalecia na cabana da minha beliche, que eu gritava por minutos a fios (claro abafado pelo travesseiro) sem que ninguém viesse me dizer um "a" sequer, onde a maior luta travada era a minha companhia, e as batalhas diárias, vez’enquando vencidas, era a busca pelo sono, mas que era compensada pelo silencio e quietude da minha liberdade de ir e vir, no silencio das madrugadas, sempre acompanhado de mim, da Bo, e de Deus.